Arquivo para março \31\UTC 2010

Gostaria de dar uma olhada no cardápio?

Como você escolhe o que comer quando está em um restaurante? Eu volta e meia continuo olhando o cardápio mesmo depois de pedir (e muitas vezes me remoendo se fiz a melhor escolha). Recentemente, me deparei com dois textos sobre design de cardápios, com diferentes pontos de vista, mas ambos mostrando quanto há para melhorar nessa área.

O primeiro saiu no Financial Times. O colunista Nicholas Lander pediu para o designer gráfico Mike Dempsey avaliar cardápios de alguns restaurantes. Dempsey analisa principalmente a legibilidade dos menus, sob parâmetros da mídia impressa: entrelinhas, tamanho da fonte, uso de títulos em corpo maior. Sua preocupação é que seja fácil para o freguês navegar pelas informações contidas ali.

Já o texto que saiu na New York Magazine mostra outra preocupação de quem desenha o cardápio: induzir o freguês a escolher os pratos mais lucrativos para o restaurante. Trata-se de uma amostra do livro Priceless: The Myth of Fair Value, de William Poundstone. Há dicas práticas para restaurateurs – por exemplo, não listar preços em uma coluna, o que facilita quem lê o cardápio a encontrar e escolher os pratos mais baratos – que podem funcionar como dicas para nós, fregueses.

Para mim, foi interessante me dar conta que cardápios são também objetos de design e peças de marketing. Como tantas coisas ao nosso redor, ele quase passa despercebido, embora possa influenciar tanto nossas decisões.

Anúncios

Usando o Modo de Usar

Meu primeiro blog, lá nos idos de 2002, chamava Modo de Usar. No comecinho, os posts tinham títulos no formato “Como fazer tal coisa”. O que eu não admiti por lá é que eu estava sob forte influência de uma série de textos do Umberto Eco chamada “Instruções de Uso”. Depois eu desisti de ecoar o Eco (dos trocadilhos infames, eu nunca desisti).

Enfim, o tempo passou, o blog foi abandonado, outro blog foi criado e abandonado. Agora, diante de uma mudança de rumo profissional (aos poucos eu conto mais), a ideia de ter um blog voltou (graças à sugestão do meu amor) e a vontade de retomar o nome, também. O tema pode ser definido como psicologia das coisas (que expressão legal!), como era o título original do livro do Donald Norman. Aqui as coisas podem ser tanto objetos físicos como sites e similares. Enquanto eu vou aprendendo, vou colocando minhas observações aqui.

Pra dar um exemplo, reproduzo um trecho de uma das crônicas do Umberto Eco que mencionei antes. Ela é engraçada e tem bastante a ver com o livro do Norman, também. É de 1985, então contém alguma referências à História Medieval, como disquetes. Mas, em essência, continua atual. Enjoy!

Como Seguir Instruções

Todos terão passado, em um bar, pela situação daquele açucareiro que, no momento em que o cliente procura extrair a colherinha, deixa cair a tampa como uma guilhotina, fazendo a colher voar pelos ares e espalhando nuvens de açúcar pela atmosfera circundante. Todos já devem ter pensado que o inventor deste instrumento deveria ser mandado para um campo de concentração. Em vez disso, é provável que hoje goze os frutos de seu delito em alguma praia exclusivíssima. Certa vez, o humorista americano Shelley Berman sugeriu que ele deve ser o mesmo que em breve inventará um carro totalmente seguro, com portas que só se abrem de dentro.

(…)

Eu tenho meu programa preferido de processamento de textos em computador. Se você compra um desses programas, recebe um pacote com os disquetes, as instruções e a licença… O problema começa quando se consulta o manual… Quando se tiram os manuais da embalagem, eles revelam uma multiplicidade de objetos de várias páginas, encadernados em concreto armado e portanto instransportáveis da sala para o escritório, e intitulados de maneira a não saber qual deve ser lido primeiro.

(…)

A única solução razoável é desmembrar os manuais, estudá-los seis meses com a ajuda de um etruscólogo, condensá-los em quatro páginas (o que é mais que suficiente) e depois jogá-los fora.

Sugestões de leitura: