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Linha de montagem (Vendo as informações III)

Existe algo positivista na atual febre de gráficos e fluxogramas: uma crença que tudo no mundo pode ser dividido em partes ou etapas menores básicas, como átomos formando objetos. A cultura do computador nos faz buscar isso, afinal, é assim que computadores trabalham. Pra um computador, o importante é a descrição de cada passo do caminho, e não onde esse caminho vai dar. Pode reparar que algumas pessoas têm mais dificuldade de pensar dessa forma, de descrever suas tarefas cotidianas como algoritmo.

Mas o computador em si é herdeiro do processo de “dividir e conquistar”, que foi desenvolvido largamente devido à Revolução Industrial, especialmente o Taylorismo.

O problema é que nem tudo pode ou deve ser mecanizado ou computadorizado. Algumas coisas não têm fórmula e precisam ser encaradas integralmente. O primeiro exemplo é, naturalmente, a arte. Sobre a poesia, um professor dizia (acho que citando outrém) que se faz forjando uma fôrma, mas que só pode ser usada uma vez. Mesmo textos mais técnicos e menos literários perdem ao virar fórmula.

Enquanto a ciência lida com o desafio de fazer máquinas que consigam pensar como seres humanos, a gente tenta não virar robô. Em outro texto eu mencionei a triste influência do PowerPoint sobre o jornalismo. Mas e quando isso acontece com as Forças Armadas de um país constantemente em guerra? O New York Times fez uma matéria sobre a epidemia de slides entre os militares. Seth Godin complementa com comentários sobre o emburrecimento que geram os textos em tópicos.

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