Posts Tagged ‘ grátis ’

A conta do conteúdo e a limonada

Outro dia, na mesa do bar, começamos a fazer uma lista das polêmicas (ou falsas polêmicas) mais chatas do mundo. Meu voto foi para a reforma ortográfica e os viúvos do trema. Mas um clichê que poderia facilmente disputar esse ranking é o que se expressa nos seguintes termos: “Quem vai pagar a conta do conteúdo na internet?”

Oras, vai pagar quem sempre pagou: você (e eu e os outros). Quem você acha que paga a conta da tevê aberta? Os anunciantes?

Então, por que as empresas continuam insistindo em fazer publicidade? Pelo seguinte motivo: elas repassam o custo da propaganda para os consumidores. De acordo com a revista The Economist, em 1993, a “TV gratuita” nos Estados Unidos custou US$ 30 por mês a cada americano.

O trecho acima é do livro A Sociedade em Rede, do Manuel Castells. Ou seja, pode-se discutir modelos de negócios, mas em última estância a conta vai sempre para o mesmo lugar.

Acho que é uma aposta segura dizer que na internet vão conviver diversas modalidades de pagamento direto (assinatura) e indireto (publicidade ou patrocínio, privado ou estatal). Só que com uma mudança em relação à tevê ou outros meios de comunicação: muitas vezes grátis é grátis mesmo.

No começo do mês, três garotinhas em um subúrbio de Chicago resolveram fazer limonada e distribuir de graça, em vez de vender – um ultraje, segundo uma colunista do Chicago Sun-Times, que acredita que limonadas existem para serem vendidas. Dan Gilmour, autor do Nós, os Media, e Cory Doctorow, do Boing Boing, deram seus pitacos sobre o assunto.

O nervosismo de alguns textos sobre “quem vai pagar a conta” me parece muito com a bronca da colunista com as garotas. O problema não é apenas com os que “roubam”, consumindo textos, sons e imagens sem pagar (as pessoas pagam até demais, basta ver os valores absurdos de toques de celular e ingressos de festival). O problema é com quem, por idealismo, generosidade ou falta do que fazer, abre mão do pagamento. É o meu caso e o de um monte de gente.

Aliás: sobre o tema, vale dar uma olhada no Free, do Chris Anderson.

Anúncios