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Câmbio

A manchete dizia: “Economista passa 18 meses vivendo sem dinheiro e diz que nunca foi tão feliz”. Eu falei no Twitter que a notícia era a cara da Katia e não só pelo hippismo que ela acalenta. O dinheiro é um denominador comum: eu tenho alguma coisa (digamos, força de trabalho) e quero outra coisa (digamos, comida); ao invés de fazer a troca direta, eu converto minha força de trabalho em dinheiro, outro converte sua comida em dinheiro e nós podemos fazer a troca. Certo?

Existem dinheiros diferentes e a troca entre eles depende de uma taxa de câmbio. Mas a taxa de câmbio não é regulada por algum valor intrínseco das moedas, é afetada por uns tantos fatores, fazendo com que uma moeda possa estar sobrevalorizada em relação a outra. O Mercosul, por exemplo, firmou um acordo para fazerem transações sem passar pelo dólar como denominador comum (não sei se está dando certo, mas não vem ao caso).

O denominador comum pode pender para um lado ou para o outro, ao invés de ficar justinho no centro (se é que há um centro). Como o Mercosul, o sujeito que abdicou do dinheiro também está eliminando uma interface e fazendo trocas diretas – trabalho por internet, bondade por bondade – e descobriu vantagens nisso. Tem coisas que vão muito mal na conversão pra dinheiro; algumas delas são as que minha amiga Katia é melhor em fazer.

Mas eu puxei esse fio de ideias enquanto pensava como sou, ahn, verbocêntrica. Eu acredito que a maneira mais eficiente de dizer alguma coisa é dizendo, com palavras. Eu escolhi isso pra ganhar a vida. Eu sempre lembro e sempre cito o Millor: “‘Uma imagem vale mil palavras’. Mas como você diria isso com imagens?”. Que fazer então da pintura, da música, da arquitetura ou mesmo de uma comida gostosa? Palavras, como dinheiro, são denominadores comuns e – sou obrigada a admitir – nem sempre são os melhores. É, amigo, tem coisas que as palavras não compram…

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